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TOPOLOGIA DO ENTRE E NOMADISMO PSÍQUICO
Marcelo Ariel
2016

Stalker zone
A manifestação da energia do ser
na série infinita de metamorfoses começa
com a perda do eu dizível
com a transformação do serdotempo em
s e r d o e s p a ç o
essa é a condição radical
para que seja possível
a inauguração topológica
de UM FORA ou
DE UMA VIDA
O eu é uma porta que só abre PARA FORA
este FORA é a descoberta e aceitação DO INDIZÍVEL
é UM FORA de um tempo que pode ser medido
é um tempo e um espaço anteriores ao tempo e espaço pensáveis
podemos afirmar que no impensável e no ininteligível
se iniciam a abertura da porta
e ESTE MOVIMENTO ATÉ A PORTA E DA PORTA ATÉ O FORA MÚLTIPLO
é o que chamamos de topologia do ‘ Entre !’
Nós somos espaços, que se movem através das aberturas para o impensável
que pode ser sentido como uma série de infinitos
Somos espaços destinados à metamorfose contínua
que é uma ressonância da manifestação da energia,
do movimento sem começo , nem fim
da MATÉRIA ESCURA
e de outros espaços
Uma caminhada que é também uma ressonância
dos movimentos estelares
e nasce com a perda da interioridade,
com ‘ A vida como topologia cósmica’
ou como a reverberação de ‘ múltiplas exterioridades’
Ao dizer EU criamos um espaço vazio e um símile que gravita sobre si mesmo
por zonas de reconhecimento quando poderia, perdendo seu centro
flutuar por zonas de estranhamento, zonas de surto que tornam a porta visível
como porta e não como inalcansável névoa de sonho. A Névoa de sonho é o espaço sideral da memória, poderíamos chamar a vida como topologia do ‘ Entre!’ de ‘ A vida de um vidente ou seja de um artista’
A vida de um artista-vidente pode ser um lento , difícil e jamais acidental movimento de
girar a chave da fechadura
e a chave é nosso olhar
desde que sejamos capazes
de escutar a porta,
ver é escutar
O artista não abre a porta para si,
é uma abertura para outros;
para outra
vida,
para a série infinita de metamorfoses
que dormindo dentro do nosso inexistente eu____________
Os autênticos artistas são caminhantes, STALKERS
Estão num lugar entre a porta e o mundo e não se cansam de nos falar da chave,
de nos mostrar indícios da porta,
o problema é que do lado de dentro da linguagem
não podemos ouvi-los.

* Texto lido no encontro promovido dentro da exposição "isso se dá porque"
de Bruno Kurru na Zipper Galeria